Mowgvher.

O que acontece no coração dos entediados?

Nada.

Eneadêa.

Tal qual esse texto, nada acontece. Nada vai acontecer aqui, não importa por quanto tempo você se estenda lendo, ou eu permaneça escrevendo. Eu posso até tentar, mas não vai sair nada. A diferença é que você pode – e quer – parar. Eu, não.

Em Vhertuzi, há um termo equivalente para nada: mowgvher. É uma aglutinação (ou justaposição? Sempre confundo) das palavras MOWG (“movimento através”) e VHERI (tradução de “tudo”). Na protolíngua dos Shorhym, “nada” quer dizer, a um modo literal, o movimento através de tudo. É uma viagem doida, eu sei, mas os Shorhym, veja só, vivem isolados entre as águas frias do Oceano de Cima, a ‘dare’ (oeste), e uma cadeia de montanhas que diminui, milha a milha, o tamanho das criaturas que penetram seu território. Linha de Relva é o nome desta cadeia, a maior do continente.

Você não pode dizer que os Shorhym são as maiores referências sobre semântica. Para isso há os excepcionais Dashos, no sul. Os Shorhym sequer são referência para a palavra “maiores”, uma vez que os membros da sua tribo mãe, que originou o restante dos povos da região e alguns outros tão mais importantes que eles, são chamados de minímanos. Precisamente. Mini + humanos. Tendo o azar de terem surgido no ponto mais forte da Linha de Relva (no sul de Sèlina, o nome da região que habitam), os Shorhym, também conhecidos como ‘Primeiros’, são, de um modo geral, pouco menores do que a primeira divisão do seu menor dedo mindinho.

Mas é claro que deveria ser assim. Fatalmente os primeiros povos de Lorna (o único continente habitado por humanos em Tháll) precisaria ser o menor de todos. Você conhece o Fibonacci? Um, um, dois, três, cinco, oito… Então.

Outra curiosidade a respeito dos Shorhym (como você prefere chamá-los? Há as designações: Shorhym; Primeiros; Shorhym, os Primeiros – mais usada nos livros de história; Primeira Cultura; e minímanos. Escolha uma e segure-a no topo da sua cabeça, tendo em vista que qualquer uma que eu usar daqui em diante quer dizer a mesma coisa da sua escolhida) é que eles são bastante preconceituosos. Mas veja se não é uma safada coincidência. Em alguma das 25 Temporadas da tragédia humana na Era Doze de Tháll, não me lembro agora em qual exatamente, os Shorhym iniciaram uma guerra de extermínio a uma nova raça humanoide oriunda da união de um shor (um indivíduo civil Shorhym) com um Geise da Terra de Flores, uma espécie prima dos humanos. A intenção era dizimar os Juhsy (como se autodenominavam os chamados de ‘Indesejáveis’).

Há que se ponderar a distância gigantesca entre o período áureo da cultura Shorhym e a guerra pela destruição dos Juhsy. Defende-se que, justamente por ter decaído de maneira tão brusca, a Primeira Cultura se tornou cheia de desvirtudes despertadas por bedas (séculos) de insultos dos outros povos humanos, incluindo sua poderosa e sagitariana filha, Poogo Caao. Mas ainda são os Shorhym; de outro jeito, mas ainda assim. E eles são preconceituosos.

Eu comecei falando do termo Vhertuzi para “nada”. E, se você chegou até aqui, pode pontuar que !!olha só, você disse que nada ia acontecer, mas falou um monte aí hein rsrs!!

Mowgvher.

Você levou esse tempo que você levou para ler esse texto para nada. E leu sobe nada. Tháll sequer tem um livro terminado e, se tivesse, ainda assim seria nada.

Todo o pouco que você leu sobre os Shorhym é mowgvher, e eu não sei se devo me desculpar por isso.

O tédio tem me feito cada vez mais mal ultimamente, exceto dessa vez em que escrevi esse texto.

Que acabar de terminar, a propósito.

Até logo.

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Tháll – Ideia e Universo

[rascunho]

Tháll é uma ideia, um universo e um planeta.

Apareceu quando escrevia uma série chamada O Decreto da Torre (na verdade, apenas o primeiro livro tinha esse nome, mas a série inteira acabou se chamando assim), que tinha onze livros. A história inteira terminava em uma espécie de realidade alternativa, que eu acabei chamando de Tháll em algum momento. Eu não fazia ideia de como era esse universo onde os protagonistas de ODdT iam parar, mas havia algo sobre ‘doze continentes’.

Assim Tháll surgiu pela primeira vez na minha cabeça. Tão vaga quanto “doze continentes” pode ser – eu nem sei se é uma frase; é? E os protagonistas de ODdT iam parar lá por causa da peça-chave da série: o Dierthÿ, um livro extremamente poderoso que Morgan, o antagonista, desejava. A série contava a busca de Morgan pelo Dierthÿ (começando com O Decreto da Torre – que era simples: quando Morgan assumiu a Torre, a instituição mágica de maior autoridade do mundo, ele decretou que era proibido ler) e as tentativas de BVSS (sigla que eu usava para Bryan, Victor, Simon e Sophie – é, nessa época eu ainda usava nomes estrangeiros para as minhas histórias) de impedir que isso acontecesse; todos eles buscavam livros espalhados pelo mundo que, juntos, indicariam a localização do Dierthÿ. Quando decifrassem o código final, iriam parar em Tháll.

Até então, Tháll era só uma ideia bastante aleatória, mas com algumas características próprias. Havia uma espécie de Deus e diabo: Metri e Vullnevor, respectivamente. Eu já sabia, também, que eram doze continentes, mas que apenas um era habitado por humanos. Sabia que, uma vez lá, Morgan iria se aliar a Vullnevor para tentar encontrar o Dierthÿ, mas depois eles iriam se enfrentar por causa de suas personalidades difíceis.

E era isso.

Como costumava acontecer até a adolescência (para ser franco… Ainda há grande tendência de acontecer atualmente, mas agora eu me controlo melhor), eu cansava das minhas histórias e abandonava todas. Tenho inúmeras (inúmeras mesmo) histórias que eu simplesmente abandonei. Com ODdT, mesmo tendo avançado bastante com o livro e com as informações sobre o universo da história, aconteceu o mesmo. E eu fiquei um tempo sem criar nada para fantasia.

Até que, olha só, deu saudade. E eu estava muito empolgado com Tháll. Porque, diferente de ODdT (cuja história acontecia aqui na Terra, mesmo, embora em lugares inventados), Tháll era tão absurdamente cheia de possibilidades, que eu entrei em desespero criativo. E comecei a criar. Criar tudo.

Era fantástico como tudo era tão caótico. Eu comecei a desenvolver uma história atrás da outra, cada uma para um livro ou saga diferente. Tháll começou a ficar tão assustadoramente grande na minha cabeça, que eu tive alguns pesadelos no começo. Eu sonhava que estava em queda livre pelo céu, sem a menor perspectiva de ser aparado por outra coisa que não fosse o chão duro de um lugar que eu não conhecia. Tinha também alguns sonhos que não sei explicar direito – são daqueles que acontecem no meio de um cochilo durante o dia, no ônibus durante algum engarrafamento; era algo como não ser capaz de segurar alguma coisa muito maior do que eu.

Durante muito tempo eu tive essa impressão. De que Tháll tinha me ultrapassado e eu não seria capaz de suportá-la. Porque quando eu pensava nela, visualizava como se estivesse do céu, muito, muito alto, observando, lá embaixo, milhares de informações – civilizações, espécies de animais e de plantas, lugares naturais, lugares ‘artificiais’, histórias e mais histórias, pensamentos…

Aí começaram a chegar algumas coisas à minha cabeça que me ajudaram a absorver melhor aquele universo – e me amedrontar mais um pouquinho, também.

Primeiro foi a ideia de dividir tudo em grandes períodos de tempo. Como fizeram com a história da Terra. Surgiram então As Doze Eras de Tháll. Cada Era teria entre 20 a 25 Temporadas, aproximadamente, e eu escreveria, primeiramente, sobre a última, a Era 12. É nela em que os humanos surgiram em Tháll, e é nessa Era em que estão todas as histórias que eu já escrevi, rascunhei, pensei e que vou escrever durante um bom tempo, porque há muita coisa aqui para contar (na verdade, tem a Guerra dos Devas e outras histórias que acontecem em Eras anteriores, mas o foco mesmo é a Era Doze).

Com essa divisão eu acabei criando ainda mais histórias, quando reparti a Era Doze em Temporadas e dei um grande acontecimento para cada uma das 25.

Surgiram os Livros de Guerra, que contavam os cinco principais conflitos da Era Doze. Na época: a Guerra dos Devas, a Guerra dos Minímanos, a Guerra do Equilíbrio, a Guerra do Sangue e a Guerra dos Deuses (que já nasceu com nove livros previstos). Mas observe uma grande característica de Tháll-universo: as versões são sempre revistas. Durante um tempo essas foram as grandes guerras da era doze, mas então a Guerra dos Devas caiu para o final da Era Onze (marcando o final desta) quando a Guerra dos Ourtro surgiu, dando origem ao Opalisco, o meu livro preferido.

Algum tempo depois, surgiu uma nova divisão das Temporadas:

– Pré-História (início da Era Doze, com a ascensão dos humanos à terra);

– Mundo Antigo, dividido em

.Primeiro Mundo – da 3ª à 7ª Temporada, começando com o surgimento das tribos Originais e terminando depois da Guerra do Equilíbrio (Nites Maryana) e;

.Baixo Mundo Antigo – da 8ª à 12ª Temporada, começando com o surgimento dos Ourtro e terminando com a Guerra dos Minímanos;

– Mundo Contemporâneo, que não tem divisão ainda por uma decisão que eu tomei ao começar essa separação:

Começar a organizar todo aquele universo aleatório a partir, olha só, do início e ir até o fim. Ou seja: começar a contar as histórias, e aqui eu estou falando de escrever livros, contos, poemas, o que fosse, do Mundo Antigo (uma vez que a Pré-História já tinha sido escrita), seguindo pelos seus dois grandes momentos (Primeiro Mundo e Baixo Mundo Antigo) e só quando terminasse tudo isso iria pensar nas divisões do Mundo Contemporâneo.

Isso me ajudou a focar. Ao terminar de fazer essas divisões e tomar a decisão que tomei, fiz uma lista de coisas que eu precisava acertar (histórias para desenvolver, outras para criar, informações para resolver, outras para atualizar) antes de começar a escrever o primeiro livro do Primeiro Mundo do Mundo Antigo: Nites Maryana – A Guerra do Equilíbrio. Que, por curiosidade, chamava-se Jahyu, O Sábio, porque foi o primeiro nome que veio à minha cabeça quando essa história chegou na minha cabeça.

Basicamente, essa é a Tháll-ideia e, eu acho, um pouco da Tháll-universo.

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