O Rio.

*publicado originalmente no dia 11/02/2015, como um post*

    Esse é um texto que atualizo frequentemente, divagando sobre meu próprio processo de escrita – influências positivas e negativas, inversão do polo dessas influências, despolarização delas – durante a construção do livro em que estou trabalhando atualmente, Nites Maryana – A Guerra do Equilíbrio (estamos em stand by). Particularmente, tenho achado bastante interessante registrar tudo isso e, por suspeitar que muitos desses problemas (e soluções) também são da alçada de outros… escritores (?), O Rio tem alguma utilidade por mencionar alguns aspectos que tendem muito facilmente a não ser notados, ou, quando o são, não parecem suficientes para uma pauta inteira.

Adoraria conversar com quem passa pelas mesmas situações que eu.

Ao final de algum período que eu ainda não decidi qual (talvez quando encerrar o Nites), vou editar esse texto e criar um novo post, mais arrumadinho e apresentável. Esse aqui é na vibe: desencargo de consciência.


[Texto rascunho. É apenas um rascunho É apenas um rascunho louco, que sai da minha cabeça sem a menor preocupação com todas as chatices gramaticais]

Título desse post até 00:01 do dia 16/02: Olá.

Após esse horário, a partir do dia 16/02: O Rio.

Gostaria de compartilhar em algum lugar a experiência que está sendo escrever esse livro, dessa vez.

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A primeira coisa é respeito. Às minhas próprias condições de escrever, à melhor maneira de cada momento, à minha expressão. Algum dia desses, só consegui fluir a escrita ouvindo uma rádio que tocava Rock Clássico em um momento, e depois, nesse mesmo dia, apenas alguns minutos pra frente, precisei pôr a rádio no mudo, pois não conseguia mais escrever com barulho. Vez ou outra, no entanto, tirava do mudo por alguns segundos e então voltava a escrever. Mas não prestava atenção às músicas em si, acho que precisava apenas do barulho de fundo. Percebia também que o ritmo das músicas me incomodava; elas geralmente precisavam ser aceleradas e não ter uma repetição muito evidente; se fossem lentas, eu estava muito fodido. Porque elas entravam na minha cabeça à força e seduziam a minha atenção.

Dois dias depois, acho, pensando ser aquela a minha condição perfeita, me coloquei na mesma situação. Banho tomado, sozinho em casa, portas e janelas escancaradas, um silêncio na rua ao meu redor, sentado no sofá no lugar mais ventilado, liguei a rádio de Rock e, depois de dançar um pouco pela casa, fui escrever. Mas não consegui sair para lugar nenhum no livro. Percebi que estava com sono. Resolvi comer e ir dormir um pouco. Acordei duas horas e meia depois, destruído e me sentindo horrível como sempre fico depois de dormir à tarde. Tentei escrever, imagine só. Foi uma merda.

No dia seguinte, tentei escrever de novo. Achei que escreveria sempre melhor se estivesse no notebook. O que, de certa forma, era um pensamento de grande frustração, porque eu havia comprado um caderno gigantesco de 400 folhas, 20 matérias, com a intenção de preenchê-lo todo com a minha nova história. Mas aceitei essa conclusão com facilidade depois daquelas duas tentativas bem sucedidas de escrever algo de maneira fluida. Sentei para escrever no notebook. Olha, só. Mais uma vez uma grande porcaria de ideias estúpidas sobre o que escrever. E uma escrita bastante lixo, também. Lembro-me que, nesse caso, eu queria dar continuidade à lista de passos que eu precisava cumprir para terminar o primeiro capítulo. Coisas que eu precisava escrever sobre Renti e sua visão para poder passar para o capítulo seguinte.

Hoje (11/02), havia algumas coisas na minha cabeça desde ontem à noite. Na verdade, desde a segunda-feira de manhã enquanto estava na rua, de ônibus. Percebi que estava entrando em um processo de preocupação com o meu trabalho em escrever o livro que eu adoraria ter nascido já munido com. Então hoje de manhã peguei o notebook e o caderno para fazer alguma coisa. O caderno foi por costume e o notebook por intuição. Até que eu percebi que o notebook não me ajudaria em nada, porque eu acabara de decidir que iria testar os melhores nomes para o título do livro; o que faço melhor, sempre fiz, escrevendo as ideias em lista no caderno. No entanto, após passar mais tempo pensando do que escrevendo, cheguei à ideia de que “Nites Maryana – A Guerra do Equilíbrio” era um bom nome (veja bem, espero que, quando publicado, ele continue com esse título porque, sinceramente, o acho muito bom. Torço para que os editores concordem comigo). Enquanto tomava essa decisão e já abria o documento do word do livro para substituir o título e abria também esse blog que eu tinha feito, mas não tinha ideia de que se transformaria no blog de Tháll, vinha uma intuição de escrever alguma passagem da história. Fico muito feliz que tenha sido ainda sobre o primeiro capítulo, porque já aconteceu, meu deus, inúmeras vezes de ser sobre um momento completamente distante ou completamente nada a ver com a história e o momento nos quais eu eventualmente estivesse trabalhando. Mas calhou. Quis escrever sobre a ida de Renti ao Topo do Chapéu para consultar o Oráculo no encontro dos rios. Risquei uma linha cortada duas linhas abaixo de “Nites Maryana – A Guerra do Equilíbrio” e escrevi “RENTI VAI ATÉ O ORÁCULO”. E deixei fluir. E lá estava eu escrevendo fluentemente no caderno. Ao invés de digitar.

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E estava escrevendo maravilhosamente bem até sentir que deveria dar continuidade a esse post que eu havia começado algumas horas atrás e escrito apenas “Gostaria de compartilhar em algum lugar a experiência que está sendo escrever esse livro, dessa vez.”. E parei de escrever a passagem, porque sinto agora que a fluência chegou no limite da segurança. Então ou eu paro e vou fazer outra coisa e só depois arrisco voltar, ou eu continuo tentando escrever e me frustro com as porcarias que saem da minha cabeça. Mas – que surpresa -, eventualmente, se eu continuo tentando escrever, pode sair alguma coisa que preste e a escrita segue tranquila.

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Acabei de fazer sexo (é domingo de carnaval). Perdoe a indiscrição, mas faz parte do processo. Na verdade, terminamos há uns quinze, vinte minutos e continuamos a assistir Game of Thrones. Imediatamente após termos terminado, eu quis muito escrever (isso acontece com frequência). Mas ele quis continuar assistindo o episódio – e só há um computador à disposição – então fui assistir também. Até que ele mesmo cansou de ver e resolveu ir dormir; então vim pro pc. Está acontecendo ao vivo (exatamente às 23:46 do dia 15/02). Quando comecei a escrever essa atualização, a vontade de escrever o livro já tinha passado, mas foi só começar a digitar aqui e os meus pensamentos foram todo se organizando e o rio (explico sobre o rio já, já) começou a correr dentro de mim. E a inspiração foi canalizada assim que eu fui ler uma anotação que fiz dois dias atrás (enquanto estávamos num shopping, rodando) sobre um importante aspecto visual da cidade de Muhva: as altas torres e a ausência de um chão rente ao solo; lá, as ruas são as muralhas e pontes entre essas grandes torres.

Mas, veja só. Eu poderia estar escrevendo muito mais fluentemente agora. Mas estou consideravelmente sonolento. E com algum calor, apesar do vento bom que fez hoje. Ah, não estou em casa. E a casa aqui onde estou faz bastante calor.

Para tentar me concentrar melhor, vou falar do rio. Mas, observe, até para falar disso eu estou travando. Travando, não: interrompendo. É isso que acontece quando eu tento escrever e não dá certo; a escrita fica travada e meus olhos se mexem ridiculamente mais do que o normal. Parece que tudo vira foco, mesmo que sejam os botões de controle do wmp do teclado do pc.

Coloquei o ventilador para girar, afim de diminuir o calor e conseguir falar do rio.

O rio. Quando estou fluente na escrita, sinto como se houvesse um rio correndo dentro de mim, da cabeça aos pés. Reto, contínuo, fluido, caudaloso. Meus pensamentos todos convergem para esse rio, porque tudo faz sentido. Tudo trabalha para um único fim, tudo funciona. A minha respiração muda e de repente fica maravilhosa e única. Adoro respirar particularmente nesses momentos. Não sei quando dura cada vez que esse rio surge, nem posso controlar quando ele aparece ou quanto tempo vai durar o próximo. Mas, veja só, acho que esse post, no fim das contas, é uma tentativa de entender e dominar esse rio de uma vez por todas. Pra te contar um segredo: eu quero muito que isso aconteça. Que eu consiga dominar, então, esse rio. Sinto ele na barriga, também. Mas sim. O mito de criação do universo de Tháll, o verdadeiro, é sobre esse rio. Queria ter uma boa mente para transcrever aqui, sem ir pesquisar nas pastas, esse mito. É bem legal.

Engraçado que durante essa atualização a minha concentração esteve/está bastante oscilante.

É um inferno quando outros pensamentos estão concorrendo com a sua vontade de escrever. Um verdadeiro ardente tenebroso enlouquecedor inferno.

A caneta também é muito importante. Peguei agora um caderno para escrever e a minha mão já está doendo, por causa da caneta. Mas pelo menos estou escrevendo alguma coisa.

Simplesmente escrever. Mesmo que esteja uma merda. Mesmo que não seja a versão final. Mas escrever. Dá um alívio enorme saber que há qualquer coisa útil escrita na hora de montar o capítulo. É o que eu estou fazendo agora e tentando me convencer a assumir como pensamento básico guia.

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Se beber álcool não deixasse meu estômago muito ruim (ainda que por alguns instantes, apenas), eu escreveria mais estando bêbado. Não estou bêbado agora, mas tomei uma Skol Beats e estou consideravelmente tonto. Mas, adivinhe só, eu estou morrendo de sono, quase impossibilitado, para escrever.

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Não tenho pc pro perto para abrir o WordPress (estou no primeiro dia do semestre da faculdade – flopadíssimo, por sinal – e os computadores são bloqueados), então escrevo no no caderno, mesmo. O problema é que… Ah, lembrei. Ia dizer que esqueci o que ia escrever, mas lembrei.

Com esse livro, estou com uma sensação um pouco chata e estranha. Parece que são personagens e histórias de outra pessoa que me deram para desenvolver. Não me sinto muito familiarizado com o Nites Maryana, e ainda me sinto preso ao Opalisco, o livro que eu escrevia antes de parar e fazer a organização de que falo aqui nesse post. Estou morrendo de saudades de Bazel e Luas, os meus personagens mais queridos de todos, os personagens que eu verdadeiramente sinto serem os mais complexos, mais interessantes, mais queridos, mais… tudo. Na verdade, acabo de ter uma ideia sensacional. Depois que parei de escrever O Opalisco, cheguei a algumas conclusões sobre como aquela era uma história boba e problemática, e considerei desmanchá-lo. Bem, então por que não levar Bazel e Luas para o protagonismo dessa nova história? … Pronto, está feito.

Na verdade, no fundo, isso faz todo o sentido. Em relação ao Opalisco, Nites Maryana tem uma história muito mais completa e interessante; em contrapartida, o Opalisco tinha personagens muito melhor desenvolvidos e cativantes. Bazel, Luas, Hazela, Genezea, Papa e alguns outros que não tinham nome ainda, mas que eu estava doido para começar a escrever sobre. Um problema é a tradução e o contexto das histórias. O Opalisco acontecia duas Temporadas à frente de Nites Maryana, em Diáder, um país que sequer participa ativamente da Guerra do Equilíbrio. Pelo menos até agora. Além disso, seus nomes estão em soho, um idioma oriundo do Dasho, falado especificamente em Górdoga, no norte de Diáder (que, a propósito, ganhou o magnífico apelido de “Alto Mundo”, em Nites Maryana. Diáder é o nordeste de Lorna, o continente dos humanos). E, particularmente, eu gosto muito mais do nome “Opalisco” do que “Nites Maryana”; acho que soa melhor.

Mas todos esses são problemas fáceis de resolver.

Voltando à minha falta de afinidade, até então, com Nites Maryana, suspeito que seja por causa de todo o planejamento que fiz com esse livro. Preparei muita coisa antes de começar, e já tenho até todos os caminhos da história traçados, do início ao fim. Acho que parte bastante significativa do meu processo de escrita está em ir criando enquanto escrevo. Lembro-me que quando parei com o Opalisco, tinha feito já um mapa mental de toda a história, até o final. De alguma maneira, parece que perde a graça; eu já sei o que acontece, então não preciso mais ficar naquela mesma história. Curiosamente, a frequência de releituras dos meus Harry Potter e outros livros que eu costumava repetir bastante tem sido cada vez mais baixa; mal me lembro da última vez que reli algum livro até o final.

Não sei como, ainda, mas preciso contornar essa questão.

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